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Adrenalina sobre 2 rodas: sob o capacete, pilotos se superam por vitórias PDF Imprimir E-mail

 

Por Klaus Pettinger
Quem vê motos robustas superando saltos de oito metros de altura, dificilmente imagina que além da adrenalina e do amor pelo esporte, os pilotos também sofrem com o medo e o imponderável sob os capacetes e macacões. No meio destes corajosos esportistas, há competidores de várias idades, nacionalidades, mas, cada um possui inúmeras histórias para contar. Dezenas deles participarão da abertura do Campeonato Paranaense de Motocross, neste final de semana, na Colônia Jordãozinho, em Entre Rios.

"Estive muito perto de ser campeão paranaense no ano passado, bastava chegar até o sétimo lugar. Mas perto do fim sofri uma queda, rompi os ligamentos do joelho direito e terminei em oitavo, um ponto atrás do campeão". O relato pode parecer de um experiente piloto, com grande bagagem no motocross. E é exatamente o caso. Apesar da pouca idade, Cristian Scherer, 12, de Guarapuava, já corre há cerca de quatro anos e conquistou no ano passado o vice-campeoanto paranaense, na categoria 85cc, mesmo sendo um dos mais jovens entre os concorrentes.

Desde o acidente na etapa de Siqueira Campos, no final de novembro, Cristian passou por cirurgia no menisco do joelho direito e mantém uma rotina intensa: academia três vezes por semana e diários 30 quilômetros de pedalda. Tudo para condicionar o corpo ao elevado nível de resistência exigido pelo motocross. "Na última semana corri quatro dias de moto, para estar bem na abertura do estadual", explicou.

 

Na torcida, Cristian tem um grande amigo, que por forças do destino ainda não se tornou seu rival de categoria. Daniel Reichhhardt, 11, é um dos caçulas da categoria 85cc e foi um dos incentivadores para que Cristian iniciasse a carreira no motocross. "Comecei meio ano antes, aí ele veio junto". O que separa Daniel de correr contra Cristian é uma lesão na clavícula, ocasionada por uma queda, há cerca de três semanas, quando Daniel treinava justamente para o Paranaense. "É a pista na qual eu treino e, para mim, a mais importante do ano, mas vou me pupar e preparar para correr o Campeonato Brasileiro, em abril", ressaltou o confiante piloto, que disputará o Nacional e as etapas sequêntes do Paranense.

Guarapuava será representada por cerca de 10 pilotos durante a etapa inicial do Paranaense, cuja primeira bateria tem largada prevista para o meio-dia de hoje, domingo, com a categoria MX3. Ao todo, serão nove baterias, encerradas pelo desafio entre os pilotos do MX1, a elite do motocross. "Teremos os melhores pilotos do país aqui em Entre Rios, porque todos irão se testar para o Brasileiro. Esperamos uma competição de alto nível", ressaltou o presidente do Trail Clube Entre Rios (TCER), Cristian Abt, que espera mais de 200 competidores.

Estreante na categoria MX1, o guarapuavano Anderson Kulka, 21, já corre há cerca de sete anos e conhece bem os atalhos da pista de Entre Rios. "É onde eu sempre treino e uma das melhores na qual já corri", frisou. "Acredito que o nível desse ano vai ser muito forte e, como estou sem correr desde 2008, espero fechar entre os 10 primeiros", destacou. O presidente da Federação Paranense de Motociclismo, Gilberto Rosa, o Juba, aposta em uma temporada empolgante, tanto para o público quanto para os pilotos. "Tem tudo pra ser um dos melhores dos últimos anos. A temporada passada foi regular, teve crise, gripe suína, muita chuva, então complicou. Esperamos que 2010 seja de alto nível, com ótimos pilotos retornando à competição".

Alheios às previsões, ao "extra-pista", cabe aos pilotos apenas uma tarefa: pilotar uma moto, com média horária superior a 50 km, rampar por até 25 metoros, aterrisar com segurança, realizar ultrapassagens, cruzar a linha de chegada e repetir o procedimento por algumas dezenas de vezes, antes da bandeira quadriculada. "Motocross é diferente de qualquer outro esporte. Você já larga com 40 pilotos lado a lado, os saltos te fazem correr um momento no chão e outro momento no ar. E a adrenalina é muito grande quando se salta", analisou Anderson Kulka.

Para o locutor oficial do Paranaense e do Brasileiro de Motocross, Valério Netto, a rivalidade e o imponderável são dois fatores que deixam o esporte ainda mais emocionante. "O motociclismo é um dos poucos esportes no qual os favoritos não necessariamente vão ganhar. Existem riscos, quedas, quebra de motor, então é um ingrediente a mais para o público e a competição", analisou Netto, que narra os principais campeonatos do país e do exterior.

 
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